quarta-feira, 28 de julho de 2010

Nove mentiras sobre o fim do mundo

     As polêmicas afirmações sobre potências, catástrofes marcadas para 2012 reacenderam a eterna discussão: a civilização tem data certa para acabar? Veja o que diz a revista Para saber e conhecer, no texto de Salvador Nogueira.
     O mundo vai acabar. É sério. Vai acabar mesmo. Só não vai ser em 2012. Mas dá para antecipar uma data aproximada: o planeta Terra será destruído lá pelo ano 6.999.997.990, ou, arredondando a conta, daqui a uns 7 bilhões de anos.
     Será mais ou menos por essa época que o Sol se tornará uma estrela gigante vermelha tão inchada que seu diâmetro vai ultrapassar a órbita da Terra. O planeta será engolfado pela atmosfera solar e completamente pulverizado no processo.
     A vida na Terra, entretanto, terá acabado muito antes disso. Em coisa de 1 bilhão de anos, o Sol já estará bem mais quente do que agora, evaporando totalmente os oceanos terrestres e transformando nosso planeta num deserto inabitável.
     Isso não é especulação; são fatos científicos. Mostram que não deveria ser tabu ou coisa de maluco falar sobre o fim do mundo. Agora, se o assunto são aqueles sujeitos que andam por aí com plaquinhas com os dizeres "O fim está próximo", aí o negócio muda de figura.
     E olha que os caras são criativos, hein? Ao longo desta reportagem, você vai descobrir nove lorotas contadas sobre o fim do mundo, desde profecias da Antiguidade até a hipóteses de a Terra se chocar com planetas errantes, passando por alinhamentos galácticos. E poderá ficar tranquilo ao saber que nenhuma dessas proposições faz sentido.
     Disso tudo, entretanto, uma coisa é certa: o ser humano parece ter uma fixação ancestral pelo fim do mundo. Em todo século ou milênio que se encerra, essa história reaparece. Em algumas datas específicas a fantasia é requentada, como agora, para 2012. Parece que a humanidade tem um desejo oculto, inconsciente, de autodestruição. O que, como você verá ao final, pode não estar mesmo muito longe da verdade...

     1.Os maias previram o fim do mundo em 2012?
     A civilização maia esteve entre os povos mais sofisticados da América pré-colombiana. Seu domínio se estendeu por séculos, antes de ser encerrado pela colonizaçãoeuropeia. E uma de suas tecnologias era o calendário.
     Como todo artefato desse tipo, ele se presta, em primeiro lugar, a marcar ciclos importantes, como a hora de plantar e de colher, ou a aparição de determinados astros no céu. Para esse tipo de referência, um calendário de 365 dias é o mais indicado, porque reflete de forma mais acurada o movimentto da Terra ao redor do Sol. Os maias possuiam um desses, mas marcavam datas específicas e registros históricos por outro calendário.
     Para essa solução alternativa, adotaram um ano (tun) de 360 dias, divididos em 18 meses (winal) de 20 deias cada. Mas, diferentemente do que fazemos, eles não consideravam o ano a unidade essencial de data. Ainda tinham o k'atun (que correspondia a 20 tun) e o b'a'tun (que correspondia a 20 k'atum). Pois bem: o dia 21 de dezembro de 2012, segundo a maior parte dos especialistas, marca o final do b'a'ktun de número 13 na contagem do calendário maia.
     Depois disso, o que acontece? Começa o b'a'ktun 14. Só isso. "Em nenhum lugar se diz que o ciclo que estamos vivendo será o último", afirma Eduardo Natalino dos Santos, professor de história da América pré-colombiana da Universidade de São Paulo (USP).
     Ou seja, a ideia de que o mundo vai acabar em 2012 pelo calendário maia é a mesma que levou alguns a pensar que o ano 2000, pela contagem gregoriana, marcaria o final dos tempos. É o fenômeno do número redondo, versão pré-colombiana.

     2.Os terremotos recentes são sinais do apocalipse?
     É difícil não se assustar com as notícias de terremotos. A impressão que dá é que, a cada dia, ocorrem mais desses fenômenos, e seu efeito fica mais devastador a cada nova ocorrência.
     Mas é só impressão mesmo, segundo os sismólogos. "Os terremotos são aleatórios. Não têm hora nem época certas para acontecer", explica Marcelo Assumpção, sismólogo da USP. "Há períodos em que, por coincidência, ocorrem com mais frequência e outros em que estão mais espaçados, mas trata-se de uma flutuação estatística. A longo prazo, o número de terremotos não está nem aumentando, nem diminuindo".
     Em linhas gerais, os cientistas entendem o que ocasiona os terremotos. São processos de acomodação da crosta terrestre. As placas tectónicas (que carregam consigo os continentes) estão em constante movimento, e o atrito entre elas produz os tremores. Por isso há regiões do globo muito sujeitas a grandes terremotos que outras - são aquelas localizadas sobre áreas de divisa entre duas ou mais placas tectônicas.
     O Brasil, felizmente, está bem no meio de uma placa, de forma que os tremores possíveis por aqui são sempre de menos escala. Mas lugares como o Chile, por exemplo, estão sempre sujeitos a violentos terremotos. O que a ciência não consegue (e possivelmente nunca conseguirá) prever é o momento exato em que ocorrerá um abalo sísmico. Isso porque a previsão exigiria a instalação de inúmeros equipamentos de medição nas profundezas da crosta terrestre, o que é tecnicamente inviável.

     3.Uma mudança do polo magnético pode causar alterações devastadoras na Terra?
     Todo sabe que as bússulas sempre apontam para o norte, certo? Pois é, mas nem sempre foi assim. A cada 400 mil anos, em média, o polo magnético terrestre se inverte. estima-se que uma nova inversão (sim, as bússulas passaram a apontar para o sul) pode acontecer em breve (isso em escala de tempo geológica, ou seja, não quer dizer que estaremos aqui para ver).
     Mas os registros geológicos mostram que essa mudança não causa dano algum à biosfera. (tá, para não dizer que ninguém sente nada, talvez algumas aves que usam um "sexto sentido" capaz de sentir o polo magnético para definir a direção de sua migração se sintam um pouco perdidas, ao menos no início).
     Esse fenômeno acontece pela dinâmica produzida no interior da Terra, sobretudo na interação do manto pastoso com o núcleo de ferro do planeta. Essa movimentação interna produz um efeito similar ao de um dínamo, que cria a polarização magnética norte-sul. Vez por outra, há uma inversão.
     A sugestão de que a Terra poderia mudar sua rotação, ou girar ao contrário, por causa da mudança, de polo magnético não faz sentido nenhum. Até a Nasa, preocupada com a boataria a respeito de 2012, elaborou um questionário de perguntas e respostas em que essa hipótese é desmentida por completo. "Uma reversão da rotação da Terra é impossível", diz categoricamente a agência espacial americana. "Há pequenos movimentos dos continentes (por exemplo, a Antártida já esteve perto do equador há centenas de milhões de anos), mas eles são irrelevantes para as afirmações de que os polos de retação poderiam se inverter.
     Aqui, o truque dos farsantes do fim do mundo é fazer as pessoas confundirem a inversão dos polos magnéticos (fenômeno que deve ocorrer) com a inversão dos polos de rotação (que jamais acontecerá).

     4.Poderia um planeta gigante e desconhecido se chocar com o nosso?
     Quem nunca ouviu falar de astros como Nibiru e Hercólubus, o famoso planeta chupão? eles têm duas coisas em comum: (1) seriam capazes de destruit a vida na Terra e (2) são obras de ficção.
     Na fronteira entre o esoterismo e o catastrofismo, encontramos histórias como essas. Nibiru é supostamente um planeta descoberto pelos sumérios, mas que continua invisível à nossa ciência. Hercólubus, muitas vezes chamado de planeta Chupão, seria um mundo gigante, maior que Júpiter, descrito pelo indígena peruano V. M. Rabolú - o mesmo sujeito que andou falando sobre peixes em Vênus (planeta com temperatura média de 480 graus Celsious).
     Todos esses mundos errantes têm um único destino: se chocar com a Terra. Há quem diga que já em 2012, outros falam em 2043, e por aí vai. tem por onde?
     "Isso não passa de invenção", diz Cássio Leandro Barbosa, astrônomo da Universidade do Vale do Paraíba
    

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