Pedro, o pescador, nasceu na cidade de Betsaida, na Galileia. Ele era casado e tinha uma filha, Petronília. Morreu crucificado de cabeça para baixo, por ordem do imperador Nero, em 64.
No apócrifo Atos de Pedro, Pedro teria sido crucificado por ordem do prefeito de Roma, Agripa. Nessa versão, o prefeito estaria aborrecido com Pedro por ele ter recomendado a castidade a sua mulher, que se afastou de seu convívio.
O seu nome era Simão Pedro, mas Jesus o chamou de Kephas (Jo 1:42). A palavra kephas significa "rocha". O termo sugere que Jesus lhe deu a liderança de uma igrja que nascia entre os pobres. O nome Pedro também faz referência ao alicerce, a pedra da Igreja que nascia.
Em alguns círculos, Pedro é conhecido como bispo de Roma, o primeiro papa. O autor Bart D. Ehrman disse, em sua obra Pedro, Paulo e Maria Madalena (Ed. Record), que vários autores afirmam que Pedro não foi o primeiro líder da Igreja nessa época, e certamente não foi o primeiro bispo: "Segundo algumas tradições, aliás, ele se ligou à Igreja romana muito depois dela ter sido fundada".
Pedro esteve em Antioquia, na Síria, em Corinto e em Jerusalém. Não se sabe exatamente quem fundou a Igreja de Roma, embora algumas teorias afirmem que teria sido fundada por Pedro e Paulo. O primeiro bispo, segundo Irineu, do século 2, teria sido Lino. Eusébio, o pai da história da Igreja, em parte de sua obra concorda com isso. Entretanto, em outros trechos ele diz que Lino foi bispo de Roma depois de Pedro.
Os livros canônicos são unânimes em reconhecer a liderança apostólica de Pedro entre os primeiros cristãos. Em Atos dos Apóstolos ele é descrito como um pregador, visionário, milagreiro e homem de oração. Jesus muitas vezes demonstrou predileção por ele, fazendo questão de sua presença em determinadas ocasiões, como no caso da ressurreição da filha de Jairo.
Após Jesus ter sido preso em Getsêmani, Pedro negou três vezes que era discípulo, conforme o Mestre previra (Mt 26:69-75). Ele acompanhou, à distância, a paixão e a morte do Mestre, enquanto Maria Madalena esteve com Jesus até seus momentos finais.
Pedro tinha um temperamento forte e ficava nervoso com facilidade. Ele foi preso duas vezes e libertado por não encontrarem motivo para condená-lo. Certa ocasião, ele e outros apóstolos foram açoitados. Ao invés de se revoltar, encheu-se de alegria por merecerem os maus tratos em nome do Mestre (At 5:40-42).
Os textos apócrifos O Evangelho de Pedro, a Filha de Pedro e o Apocalipse de Pedro foram descobertos em 1887, na tumba de um monge, em Akhmin, Egito. O Evangelho de Pedro foi escrito na Antioquia entre 120 e 130 e é considerado a tradição apócrifa mais antiga sobre a paixão de Jesus, tendo Pedro como narrador dos fatos. Durante muito tempo, esse Evangelho foi usado por algumas comunidades cristãs.
O Apocalipse de Pedro foi escrito provavelmente no final do século 2, na Síria ou no norte da Palestina. O texto demonstra a sua liderença apostólica, a sua autoridade em repassar os ensinamentos de Jesus, descrevendo Pedro como um gnóstico convicto, que tinha o conhecimento da verdadeira essência do Salvador.
Atos de Pedro e Os Doze Apóstolos provavelmente foram escritos no final do século 2, por um judeu gnóstico. Na obra, Pedro dá orientações aos apóstolos e recomenda que permaneçam fiéis aos ensinamentos de Jesus. Ele prega o anúncio da Palavra, rejeição aos desejos do mundo, pobreza e jejum.
Atos de Pedro também narra suas atividades missionárias e sua morte em Roma. A obra descreve a forma como Pedro enfrentou o mago Simão, que criava confusão entre os cristãos. Além de narrar milagres realizados por Pedro, a obra descreve a sua morte na cruz.
A Epístola de Pedro a Filipenses é datada entre os séculos 2 e 4. Escrita em grego, tinha como tema principal a defesa da liderança de Pedro entre os apóstolos.
O conhecido fragmento "A Filha de Pedro" é considerado como parte do Atos de Pedro. Na obra, ele aparece como um curandeiro que protegia sua filha paralítica para que ela se mantivesse virgem, pois o ideal da virgindade era observado como caminho da salvação.
Na verdade, sua filha, Petronília, tornou-se paralítica quando Deus atendeu ao pedido de Pedro. Aos 10 anos, a jovem já era muito bela. Um jovem fazendeiro, Ptolomeu, apaixonou-se por ela e a pediu em casamento. Pedro não aceitou o pedido. Inconformado, Ptolomeu raptou-a e Pedro, desesperado, pediu a Deus que protegesse a virgindade da filha. Petronília ficou paralítica e Ptolomeu a devolveu aos pais.
A história ainda narra que Ptolomeu teve uma visão que o fez se aproximar de Pedro e ver Petronília apenas como uma irmã. Em outra passagem, uma multidão desafiou Pedro a curar a filha. Ele o fez, apenas para demonstrar ao povo o poder de Deus, mas, em seguida, pediu que ela voltasse a ser paralítica. A narração ainda conta que a filha de Pedro morreu paralítica e virgem.
Para muitos pesquisadores, a história da filha de Pedro reforça as atitudes negativas que ele mantinha em relação às mulheres. Entretanto, existem teorias de que havia um ideal de santidade entre os cristãos que negava a sexualidade, daí a importância da virgindade. Seus adeptos eram conhecidos como encratistas e viviam de forma ascética.
Uma outra polêmica narrada nos apócrifos e relacionada a Pedro é sua rejeição à liderança que Maria Madalena exercia no início do Cristianismo. Em diversas passagens dos livros apócrifos, Pedro demonstra desdém pelo conhecimento de Madalena, e em determinada ocasião chega mesmo a pedir que Jesus a afaste do grupo, pois julgava que as mulheres não eram dignas. Em outras ocasiões, embora considere os ensinamentos de Madalena como verdadeiros, Pedro questiona o fato do Mestre ter dividido conhecimentos elevados com uma mulher. Algumas comunidades cristãs conservaram textos nos quais Pedro é descrito como misógino, alguém que tem aversão às mulheres.
Quando Maria, mãe de Jesus, morreu, Pedro estava ao seu lado com os outros apóstolos. Ele ajudou a colocar o seu corpo no ataúde e conduziu o enterro até um sepulcro no Getsêmani, onde o corpo da virgem, após três dias, foi levado para o céu por anjos.
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