segunda-feira, 12 de julho de 2010

Evangelho de Filipe

      Filipe era natural da aldeia de Betsaida, na Galileia. Após a ascensão de Jesus, ele pregou sua palavra durante 20 anos na Cítia. Morreu com 87 anos, em Hierápolis, onde foi sepultado.
     O Evangelho de Filipe é considerado um livro apócrifo. Descoberto em Nag Hammadi, o texto foi redigido entre 180 e 350, provavelmente por alguns de seus seguidores. Ele é formado por uma série de declarações de Jesus, em diversos estilos literários (parábolas, provérbios, aforismos, etc). O texto em copta é uma cópia de um original em grego.
     A obra contém provérbios breves e enigmáticos de Jesus, e são mais facilmente interpretados sob o ponto de vista gnóstico. Eles são identificados pela forma como os introduz ("ele disse", "O senhor disse", "o Salvador disse").
     O Evangelho de Filipe se tornou especialmente famoso nos últimos tempos por ter sido citado no best-seller de Dan Brown, O Código da Vinci. Na obra, o autor faz referência a uma citação que consta no Evangelho de Filipe e que pode significar a união marital entre Jesus e Maria Madalena: "E a companheira do Salvador é Maria Madalena. Mas Cristo a amava mais do que a todos os discípulos e costumava beijá-la frequentemente na boca. Os demais discípulos se ofendiam com isso e expressavam desagrado".
     Beijar, nashak, em hebraico, significa respirar junto, compartilhar o mesmo fôlego.
     Jean Yves Leloup, filósofo, teólogo e sacerdote ortodoxo foi o tradutor de muitos evangelhos apócrifos, inclusive o de Filipe. O estudioso acredita que os textos encontrados em Nag hammadi foram enterrados ali por revelarem a intimidade física entre Maria Madalena e Jesus. Para ele, o Evangelho de Filipe não trata apenas da santidade da comunhão espiritual, mas expressa também a natureza sagrada da união física de um homem e uma mulher, o mistério da câmara nupcial.
   
     Trechos do Evangelho de Filipe

     - Luz e treva, vida e morte, direita e esquerda são irmãos entre si. São inseparáveis. Por isto, nem os bons são bons, nem os maus são maus, nem a vida é vida, nem a morte é morte. Assim é que cada um se dissolverá em sua origem primordial. Mas os que estão exaltados acima do mundo são indissolúveis, eternos.
     - Jesus pegou-os todos de surpresa, porque Ele não apareceu como era, mas de maneira como (seriam) capazes de vê-lo. Apareceu aos grandes como grande, aos pequenos como pequeno, aos anjos como anjo, e aos homens como homens. Por isto sua palavra ocultou-se de todos. Alguns realmente o viram, pensando que estavam vendo a si mesmos. Mas quando apareceu gloriosamente aos discípulos sobre a montanha, não era pequenino. Ele se tornou grande, mas fez com que os discípulos ficassem grandes, para que pudessem percebê-lo em sua grandeza.

  

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