quinta-feira, 1 de abril de 2010

Biblioteca Divina

A coleção de livros catalogados e considerados sagrados que reúne o An-
tigo e o Novo testamentos foi denominada de Biblioteca Divina pela primeira
vez por São Jerônimo,tradutor da Vulgata Latina(o texto oficial do cristia-
nismo ocidental). Tais livros foram tidos como sagrados e divinamente inspi-
rados pelas três grandes religiões atribuídas aos filhos de Abraão:o islamis-
mo,o judaismo e o cristianismo.
Para os cristãos,o Espírito Santo de Deus teria atuado diretamente e de
maneira sobrenatural sobre os escritores,conforme narra o apóstolo Pedro em
um dos seus livros sagrados."Nenhuma profecia foi dada pela vontade humana,
entretanto homens santos falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito San-
to"(II Pedro 1:21).Eles acreditam,inclusive,que a postura perante o que está
escrito na Bíblia determina o destino eterno de cada um.

Traduções e Interpretações

Os textos bíblicos foram escritos em três idiomas:grego,hebraico e ara-maico. Sabe-se que o Antigo Testamento foi quase todo redigido em hebraico,
com exceção de alguns livros,escritos em aramaico. Já no Novo Testamento,pra-
ticamente todos os livros foram escritos em grego vulgar,que corresponde ao
chamado koiné,segundo idioma mais falado no Império Romano.
A primeira tradução do hebraico feita para o grego ocorreu durante o sé-
culo 3º. A língua hebraica não era compreendida pelas judeus que viviam fora
da Palestina,em especial,no Egito e na Babilônia. A tradução teria sido o re-
sultado do trabalho de 70 eruditos judeus que se reuniram,cada um num cômodo,
e só saíram após todos eles traduzirem o texto sagrado. Denominada Septuagin-
ta("a tradução dos setenta"),sua importância deve-se ao fato de ser a versão utilizada na Bíblia Cristã desde o início.
Outras traduções surgiram após a Septuaginta,a maioria delas insatisfa-
rias,até que,em 382,o bispo de Roma determinou a tradução oficial da Bíblia
para o latim. A tarefa foi designada ao exegeta São Jerônimo e ficou conhe-
cida como Vulgata Latina,versão utilizada durante séculos pelas Igrejas
Cristas do Ocidente como a versão autorizada da Bíblia. A Bíblia na língua
portuguesa só veio a ser impressa em 1748. A versão foi fruto da tradução
feita a partir da Vulgata de São Jerônimo.

Os Evangelhos

Chamados de canônicos,Mateus,Marcos,Lucas e João são os únicos evange-lhos admitos como legítimos pelo cristianismo primitivo e que,portanto,cons-
tituem o Novo Testamento bíblico. Desses, três são considerados evangelhos sinóticos,ou seja,semelhantes no que corresponde aos assuntos abordados.O ter-
mo sinótico teve origem no século 18,quando especialistas,ao analisarem os li-
vros canônicos,perceberam suas semelhanças. O evangelho de João relata a his´-
tória de Jesus de uma maneira substancialmente diferente,portanto,não está in-
cluso nos livros sinóticos.
Mateus:ao que tudo indica,é o livro mais antigo entre os quatro.É,também,
o mais curto e preciso. Com 16 capítulos,foi escrito para o público romano e
evidencia tudo o que Jesus realizou durante o Seu ministério. O evangelho
inincia com a pregação e a profecia de João Batista:a anunciação da vinda do
Messias. Os três assuntos finais - aparição a Maria Madalena,aos discípulos
e a Ascensão de Jesus(capítulos 16:9-20) - não estão presentes nos manuscri-
tos mais antigos,mas foram encontrados em documentos gregos mais recentes.
O fato leva a crer que estes não pertencem a Marcos,mas que foram retirados
de outros evangelhos e incluídos posteriormente.
Lucas:tido como o mais detalhado dos evangelhos canônicos,objetiva mos-
trar a salvação divina ao alcance de todos. Com 24 capítulos,destaca o con-
tato de Cristo com pessoas à margem da sociedade:pobres,aleijados,endemonia-
dos,cegos e outros desprezados do época. Narra,ainda,o nascimento e o minis-
tério de João Batista. Não existe um consenso sobre a data de sua redação,
porém,acredita-se que tenha sido depois da queda de Jerusalém,após o ano 70.
João:com características singulares no que se refere ao estilo literá-
rio dos textos,é,entre todos os evangelhos,o mais reflexivo. O livro foi o
último a ser escrito e enfatiza a divindade do Nazareno,insistindo no sig-
nificado de certos números como sinais,com o objetivo de provar aos gentios
que Jesus é o filho de Deus. é datado entre os anos de 90 e 95.

O Livro Sagrado

Resultado de experiências religiosas do chamado "povo israelita",a Bíblia
é o livro mais lido,publicado e pesquisado em toda a história da humanidade.
Originário do grego,o terma Bíblia quer dizer "os livros". Mas a palavra tam-
bém possui outra derivação:vem de byblos,uma referência a Biblos,cidade no Me-
diterrâneo oriente que controlava o comércio do papira(espécie de papel produ-
zido pelos egípcios e feito de fibras vegetais) e que era conhecida nos pri-meiros séculos a.C. pela edição de textos. No entanto,a designação da Bíblia como hoje a conhecemos só começou a ser utilizada no século 2º,quando todos
os livros já haviam sido escritos.
Esses textos sagrados são frutos de séculos e séculos de histórias conta-
das de pai para filho e,posteriormente, materializadas em pergaminhos,papiro
e outros instrumentos de armazenamento da memória humana até então disponí-
veis. São registros de pessoas queviveram em épocas e lugares diferentes e
tomaram como base contextos diversos.
Especula-se,segundo a tradição judaico-cristã,que o livro sagrado tenha
sido regido por aproximadamente 40 pessoas das mais diversas origens e clas-
ses sociais, em um período de 1.600 anos.
Em sua forma original, a Bíblia é desprovida de repartições em capitulos e versículos. Essa divisão teve origem em diferentes momentos da história.A
autoria da primeira repartição é atribuída ao acebispo Stephen Langton da
Cantuária,no século 8º,que teria feito as marcações com base em uma sequên-
cia numérica de algarismos romanos. Já a subdivisao dos textos em versícu-
los foi feita em 1551 pelo humanista e impressor Robert Stephanus,em uma
edição em grego do Novo Testamento. Se comparadas as edições bíblicas catá-lica,protestante e judaica,são notáveisalgumas deferenças nas divisões de
capítulos e versículos.
A união dos textos,por sua vez,só viria a acontecer no século 4º,com a proclamação do cristianismo como religião oficial do Império Romano. Logo surgiria a demanda por cópias do Novo Testamento,fato compravado pela enco-
menda de 50 cópias para as igrjas de Constantinopla por parte do imperador.
Provavelmente,esta foi a primeira vez que o Antigo e o Novo Testamentos fo-
ram reunidos em um único volume,denominado Bíblia.
Para muitos,em especial os cristãos e judeus,a Bíblia é mais do que um livro. É a própria palavra e vontade de Deus em favor da humanidade que reú-
ne,além de prrincípios morais,uma espécie de normas de conduta e soluções
para dilemas e problemas do homem. Os ateus e agnósticos duvidam da veraci-dade de tais acontecimentos,declarando-os como exagerados,como no caso da Arca de Noé, Adão e Eva,o Dilúvio,entre outros. Já os cientistas reconhecem
seu valor como documento histórico,uma vez que muitas informações contidas
no livro sagrado,quando cruzadas com documentos contemporâneos,resultam em importantes descobertas arqueológicas nos últimos séculos.
À parte as diferentes perspectivas sobre a Bíblia,sua influência na história da sociedade ocidental - e até mesmo mundial - não pode ser subes-
timada. É inegável o fato de que,em função do entendimento que dela tiveram
as nações,povos foram destruídos, o calendário foi alterado(calendário gre-
goriano),entre outros ocorridos que acabaram por transformar e formatar a
época e o mundo em que vivemos.

Predições

Muitas passagens bíblicas preveem a ressurreição de Jesus. nenhuma delas,
no entanto,é tão específica e detalhada quanto o livro de Isaías. Confira o
que diz o Evangelho: Isaías 53:2-12 "Ele cresceu como broto na presença de Ja-
ve,como raiz em terra seca. Não tinha aparência nem beleza para atrair o nosso
olhar,nem simpatia para que pudêssemos apreciá-lo. Desprezado e rejeitado pe-
los homens,homem do sofrimento e experimentado na dor,como o indivíduo de quem
a gente esconde o rosto,ele era desprezado e nem tomamos conhecimento dele.
Todavia,eram as nossas doenças que ele carregava em suas costas... Ele estava
sendo transpassado por causa de nossas revoltas, esmagado por nossos crimes.
Caiu sobre ele o castigo que nos deixaria quites;e por suas feridas é que veio a cura para nós.
...Foi oprimido e humilhado,mas não abriu a boca; tal como cordeiro,foi
levado para o matadouro,como ovelha muda diante do tosquiador. Foi preso,
julgado injustamente, e quem se preocupou com a vida dele? Pois foi cortado
da terra dos vivos e ferido de morte por causa da revolta do meu povo.A se-
pultura dele foi colocada junto com a dos ímpios,e seu túmulo junto com o dos
ricos,embora nunca tivesse cometido injustiça e nunca a mentira estivesse em
sua boca...
...Por isso eu lhe darei multidões como propriedade e com os poderosos
repartirá o despojo porque entregou seu pesçoço à morte e foi contado entre os
pecadoras..."

A Conspiração

Em Mateus há uma passagem interessante a respeito do ressurgimento de Je-
sus. O Evangelho narra que os soldados que guardavam o sepulcro,ao ver que o
corpo do Messias já não estava ali,se apressaram para informar os principais
sacerdotes do ocorrido. Então,receberam grande quantia em dinheiro para afir-
marem que o corpo de jesus fora roubado pelos discípulos na chegada da noite,
enquanto dormiam. Conta-se que esta versão foi propagada entre os judeus por
muito tempo. Até os dias de hoje,tal versão é defendida por estudiosos e teó-
logos liberais.

Teorias Controversas

O fato de Jesus ter ressurgido dos mortos é uma das doutrinas contestadas
por muitos eruditos e teólogos liberais. Há quem acredite que Cristo não teria
morrido no momento da crucificação,mas apenas desmaiado. Outros são categóri-
cos ao afirmar que Jesus recebeu um remédio que o manteve vivo na cruz, sendo
que despertou horas depois,no túmulo. Há estudiosos que fundamentam que o Na-
zareno resistiu à morte e foi para a Índia.Outra hipótese sustentada - e tida,
inclusive,como a menos provável - é a alucinação coletiva,em que os apóstolos
e seguidores teriam sido acometidos por ilusões.
Na busca de um "Jesus histórico", o erudito bíblico Kirsopp Lake levan-
tou uma tese que diz que Maria Madalena e as que com ela estavam teriam ido
ao túmulo errado,e assim fizeram, também,alguns dos discípulos, proclamando erroneamente que Jesus havia ressurgido. O estudioso acrescenta que a ofusca-ção produzida pelas primeiras horas da manhã poderia ter causado tal confu-
são.
Verdadeira ou não,não se pode negar que a questão da ressurreição de Je-
sus é um dos pontos fundamentais da doutrina cristã. O Novo Testamento con-
sidera o episódio como vital para as religiões baseadas nessas crenças e
dogmas, sem o qual não poderia haver o cristianismo. O apóstolo Paulo também
argumenta que tal doutrina seria anulada no caso de a ressurreição de Cristo
não ter se realizado:"Se Cristo não ressuscitou,seria vã a nossa pregação e
vã a nossa fé; e seríamos tidos por falsas testemunhas de Deus; e ainda per-
maneceríamos nos nossos pecados;e os que dormiram em Cristo pereceriam;e se-
ríamos os mais infelizes de todos os homens"(1Co15:14-19).